Espiritualidade


Num mundo cada vez mais accionado pelos interesses materiais, políticos e económicos é importante não esquecermos a natureza humana e espiritual de que também somos feitos. Todos somos um EU, uma pessoa completa e diferente de qualquer outra. Todos temos um cérebro, tantas vezes demasiado racional e objectivo, que contem igualmente células carregadas de energia emocional e não apenas biológica. É essa natureza espiritual e humana que devemos cultivar, partilhar e difundir.

Espiritualidade que não é sinónimo de religiosidade. Eu, por exemplo, sendo um ser também espiritual não sou, todavia, religioso. Na verdade, confesso, as religiões nem sempre são boas conselheiras pois muitas vezes cometem tremendas injustiças, são dominadoras, manipuladoras da mente e das emoções, conduzindo ao fanatismo, à fé cega e desprovida de sentido crítico.

A espiritualidade tem mais a ver com o mundo dos sentimentos, da profundidade do nosso ser, com a intimidade humana da alma. Se acreditamos num Deus ou não isso para mim não é importante pois a espiritualidade não obriga a que sejamos seguidores de uma religião ou de um credo qualquer.

Ser espiritual é colocar no nosso quotidiano atitudes, comportamentos e práticas dotadas de valores, princípios e normas que reforcem o nosso carácter e a capacidade de tomarmos decisões justas e honestas. Ser espiritual é, na verdade, ser inteligentemente humano.

Agora que todos os dias e a todas as horas nos anunciam um ano muito problemático, é importante que os decisores políticos e os detentores do capital levem em conta que não somos apenas consumidores, pagadores de impostos, gente anónima e sem poder algum nas mudanças que transformam o mundo. Cada pessoa encerra em si um capital intelectual, emocional e espiritual que não pode ser ignorado nem desprezado por ninguém, muito menos pelos senhores do mundo.

Cultivemos a nossa inteligência não apenas através da valorização do nosso conhecimento mas também através da harmonia e da paz que têm como fonte de inspiração a nossa espiritualidade. E saibamos ser saudavelmente críticos e auto-críticos para gozarmos a plenitude dos nossos recursos e talentos. Por isso, usemos também o direito à indignação e ao protesto. Sem medos, nem inibições.

Nelson S. Lima

AQUILO QUE SEI E O QUE NÃO SEI.

Torne-se num "pensador global".

O maior contributo de conhecimento do século XX foi o de termos chegado ao CONHECIMENTO DOS LIMITES DO CONHECIMENTO (Edgar Morin), o que, digo eu agora, nos faz viver na incer
teza (e da qual nunca nos livraremos).

Na verdade, o que sabemos nós do mundo? Muito e nada. Muito, considerando o que não sabíamos antes. Nada, considerando o muito que ignoramos ou do qual não temos uma percepção nítida, completa (alguma vez teremos?) e nem sequer um entendimento.

Temos apenas um conhecimento parcelar da realidade total! Mas ficamos por vezes fascinados com o muito que sabemos; não obstante, ele ainda é tão pouco!

E, depois, há ainda um outro problema: o excesso de informação que temos ao nosso dispor e que pode tolher o verdadeiro conhecimento (é que informação não é sinónimo de conhecimento).

Ora isto dá muito que pensar! E não é uma mera questão filosófica (o que já não seria pouco!).

Nelson S Lima

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Vencer nos tempos difíceis

Todos temos dias difíceis. A maioria das pessoas passa por essas etapas várias vezes ao longo da vida. Eu também. Não sou imune a tais dias que gostaríamos de rasgar da nossa agenda. Esses dias podem abalar-nos profundamente. Podem fazer-nos perder a esperança e sobretudo a motivação para continuarmos que temos de ir buscar energias que, portemos dias vezes, pensamos não ter. Isto passa-se tanto ao nível puramente orgânico (como nas doenças) como no estritamente psicológico (perdas, deceções, desilusões e muitos outros sofrimentos).

Algumas pessoas têm uma maior facilidade em enfrentar tais dias. Outras ficam quase paralisadas. Nesses dias o AGORA adquire uma amplitude extraordinária. O tempo parece andar mais devagar e, afinal, o que mais desejamos é que ele passe rápido. Contamos os minutos e as horas. Mudamos de estado mental e centramo-nos nos problemas.

A vida tem desses dias. Reservados para cada um de nós e nós sentimo-nos como se fossemos os únicos no mundo a sofrer. É uma situação extremamente desconfortável e, em certos casos, assustadora sobretudo quando o próprio futuro pode ficar em causa.

As palavras de conforto dos outros sabem-nos bem mas não chegam. No fundo, nós sentimo-nos sós com os nossos problemas. É que eles são nossos, mesmo que envolvam outros.

Dois conselhos vos posso dar:
- evitem decisões e comportamentos que mais cedo ou mais tarde vos irão trazer problemas. Protejam a saúde para correrem menos riscos de ficarem doentes e com isso sofrerem. Preparem-se para o futuro estudando, fazendo formação contínua, etc.;
- diante de um problema inevitável (com culpa nossa ou não) esforce-se por não se focalizar demasiado no "centro do furacão", isto é, no centro do problema. Distancie-se dele, distraia-se com algo, caminhe, apanhe luz, ingira chás relaxantes, faça alguma dieta e siga as instruções de quem possa ajudá-lo (um médico, um amigo, um mentor, etc.). Não se deixe mergulhar na solidão e na depressão pois isso sugá-lo-á como um redemoinho de água e o problema ficará mais difícil de resolver.

Os dias difíceis acabam por passar. Estejamos preparados para os enfrentar e vencer na certeza de que todos nós temos mais energia do que possamos imaginar. É essa energia que temos de carregar através de comportamentos saudáveis para preservarmos a saúde (iremos precisar dela) e mais conhecimentos e informação que nos vão enriquecer a nível intelectual (é que também iremos precisar desse reforço).

A ansiedade que perturba o nosso mundo...


Vivemos numa época difícil da Humanidade. Mais do que em qualquer outro tempo da história humana, este momento que atravessamos é particularmente inquietante. Na verdade, estamos bem no centro de uma encruzilhada onde ideias, convicções, modelos e certezas do passado se misturam com novos elementos, conceitos e valores de uma sociedade em acelerada transformação. Muitas pessoas ainda não se aperceberam como o mundo se modificou nos últimos 10 ou 15 anos e como isso começou a afectar as suas vidas. Outras, desorientadas, não descortinando as novas referências por que devem reger-se, vivem angustiadas, com uma sensação de perigo entranhada na alma.

Findou uma época. A nova é carregada de complexidades, incertezas, imprevisibilidades, rápida mudança e ambiguidades. O seu anúncio já se fazia ecoar desde os anos 60 em obras como "O choque do futuro" de Alvin Toffler e mais tarde em "A conspiração aquariana" de M. Ferguson. Fez-se anunciar também através do eclodir de movimentos e escolas como a New Age (Nova Era).

Habitamos um planeta onde coexistem duas realidades: o do materialismo tecnicista, fruto da idade fabril e tecnológica e o do novo espiritualismo que faz apelo à reconversão dos valores da serenidade e da sabedoria. Do choque de ideologias e crenças resulta uma sociedade compreensivelmente conturbada e confusa.

Basta abrir um jornal diário para percebermos como está o mundo que nós próprios criámos ou aceitámos que fosse criado (pelos detentores do poder e das grandes escolhas que afectam a sociedade). Desemprego galopante, inquietações políticas, discursos inflamados mas vazios de ideias, ódios desmedidos, consumismo idiota e sem nexo, a procura atabalhoada pelo sucesso rápido, o deslumbramento dos novos ricos (jogadores de futebol, vedetas do mundo do espectáculo, etc), a desorientação visível e a ingenuidade assustadora de muitos adolescentes e crianças.

Os empregos tornaram-se precários e sê-lo-ão cada vez mais. As empresas já não oferecem garantias de emprego para sempre. As reformas já não podem ser uma interrupção, o fim de uma época da nossa vida. Os bons empregos já não são os de antigamente. Há novas profissões a germinar por esse mundo fora. A sociedade é outra. Não é pior que muitas outras do que os nossos antepassados viveram.

Não podemos permitir-nos viver como se tudo estivesse como antes quando hoje tudo de desenrola e transforma muito rapidamente. Vivemos a sociedade da informação e isto não é apenas um nome bonito para uso dos economistas e dos políticos. Não. Hoje vivemos no meio da profusão de meios de comunicação que nos permitem uma vida diferente, mais ousada, mais diversa, mais interessante, mais útil. Nós temos é também de MUDAR. Mudar a nível pessoal.
Temos então de nos informar mais, ler mais, tentar compreender as novas regras da sociedade, manter-nos como cidadãos do mundo e não apenas como pessoas cujo horizonte finda na nossa rua ou nos limites da nossa cidade. De outra forma ficaremos mais e mais obsoletos sendo ultrapassados muito rapidamente pelos mais novos, pelos nossos próprios filhos.

Vivemos numa sociedade difícil mas também plena de oportunidades e possibilidades de realização. Temos, porém, de compreender como funciona e de nos mantermos activos e envolvidos sem medo de nós próprios nos assumirmos como agentes de mudança! E então a ansiedade desaparece...

Qual é a sua visão da vida?


A assustadora época de crise económica que vivemos deve obrigar-nos a ter uma visão realista de vida mas ao mesmo tempo positiva, oferecendo o nosso próprio contributo para que o mundo melhore. E esse contributo pessoal pode ser imenso. Nós podemos melhorar a nossa cultura, pensar mais nos outros, ser mais solidários e humildes, cultivar a inteligência, educar bem as nossas crianças, cuidar dos indefesos, ajudar a manter as nossas cidades limpas...Tantas coisas e tão boas nós podemos fazer!
O nosso espaço de manobra e de intervenção é ainda muito amplo. Não nos deixemos sufocar pelos nossos medos ou pelas inibições. Aprendamos a cultivar uma mentalidade aberta, a ter uma visão alargada da vida e do mundo. Devemos entender que não somos apenas cidadãos de uma pequena ou de uma grande cidade. Não importa. Acima de tudo somos cidadãos do mundo, habitantes deste maravilhoso planeta azul e brilhante onde não faltam oportunidades para fazermos uso dos nossos recursos fundamentais: a capacidade de amar, a capacidade de pensar, a capacidade de aprender e a capacidade de julgar!

Medo de envelhecer?


Um número considerável de factores que aceleram o nosso envelhecimento é resultante das nossas próprias escolhas. Isto deve fazer-nos reflectir.

Sabemos que o envelhecer é sobretudo um processo de entropia, ou seja, de deterioração provocada por agentes externos, frequentemente tóxicos e que, sob a forma de radicais livres, atacam o organismo (desde a pele aos mais pequeninos dos nossos órgãos). Não damos habitualmente muita importância a estes aspectos e confiamos muito mais no factor sorte. Geralmente, fazemo-lo com desculpas do género "Ah, fulano não fumava e todavia morreu de cancro do pulmão" ou coisas do género "Os médicos também envelhecem e morrem".
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É verdade. Mas há muita coisa que falta acrescentar. Por exemplo, que todas as pessoas envelhecem de forma e em ritmo diferentes devido a um sem número de factores (genéticos, hereditários, ambientais, etc.). E, mesmo quando se analisa uma pessoa, verifica-se que cada parte do corpo envelhece a um ritmo diferente. É possível, por exemplo, que o estômago esteja mais envelhecido que os pulmões e, por isso, possa arrastar a pessoa para problemas digestivos que dão origem a um envelhecimento mais rápido a nível geral. E, mais ainda, a sua morte poderá começar no estômago.

Voltemos ao início. Se muito do nosso envelhecimento resulta das escolhas que fazemos, então o que é que está envolvido? Pois, a educação, os hábitos, os comportamentos, etc. Ou seja, tudo isso está na psique do indivíduo, na sua mente.

Conhecemos pessoas que, apesar de obesas, continuam a manter hábitos alimentares destrutivos, insistindo em comer verdadeiras porcarias que não apenas engordam como contêm muito material tóxico. Essa pessoa até pode durar muito tempo mas a sua aparência não é saudável (longe vai o tempo em que a gordura era formosura) e terá muitas mais probabilidades de ser vítima de problemas cardiovasculares e envelhecer mais rapidamente.

O famoso médico Deepak Chopra diz que "o grande inimigo da renovação é o hábito". Esta renovação de que ele fala é a do corpo pois este não é um objecto acabado mas um processo em contínua mudança. Ora desde que esse processo seja orientado no sentido da renovação as nossas células podem manter-se jovens "não importa quanto tempo passe ou a quanta entropia estamos expostos".

O envelhecimento e a morte também não são só acelerados por aquilo que comemos mas também por outros hábitos de vida que provocam acidentes, deterioram o corpo e provocam doenças. Por exemplo, dizem as prostitutas que muitos homens que as procuram pagam-lhes mais para poderem ter relações sem preservativo. Que é isto senão jogar à roleta russa? É óbvio que, quem vive assim, deposita toda a sua esperança no factor sorte. Ora devemos reduzir ao mínimo a crença de que a sorte é a única determinante na saúde e na longevidade.

As descobertas científicas vão todas no sentido de que a nossa saúde e a nossa longevidade dependem de muitos factores que podemos controlar e, assim, podemos envelhecer mais devagar e com saúde até aos nossos últimos dias. Para que tal sejamos capazes de atingir necessitamos de adoptar uma nova visão do envelhecimento, compreender o papel da psique e da consciência e enveredar por um estilo e um programa de vida onde a renovação (saudável e positiva) seja uma constante.

Qual é o futuro do amor?


Na minha vida, o amor foi sempre um tema presente por boas e por más razões. Julgo que, neste capítulo, não sou diferente dos outros humanos. Fui feliz e infeliz, também. É que, como todos sabemos, o amor pode ser gerador de sentimentos menos bons. Um amor não correspondido, por exemplo, dá origem a decepção e sofrimento. Isto não é novo. Sempre foi assim em todos os tempos.

O problema actual é outro. Os humanos parecem estar a perder a capacidade de amar! Ou melhor, são capazes de amar mas dedicam-se menos ao amor. Tenho reparado que as pessoas, hoje em dia, amam cada vez mais à distância....por telemóvel, por internet e em silêncio. Na verdade, correspondem-se uns com os outros, avidamente, teclando. Mas vão perdendo o sentido das prioridades. Muitas pessoas comunicam por necessidade de comunicar, mais para se fazerem ouvir (ou ler) do que para ouvirem e lerem os outros. No amor parece estar a acontecer o mesmo. Nas famílias actuais as pessoas estão mais tempo a ver televisão, a teclar no computador ou a tagalerar ao telefone. Para além de que passam mais tempo com os colegas de trabalho do que com os filhos ou com o seu (sua) companheiro(a). O cenário é, neste capítulo, decepcionante. Não é por acaso que as famílias estão a desestruturar-se, aumentam os divórcios e vive cada um para o seu mundo.

O que é o amor?

O amor é um sentimento multifocal. É, segundo a psicologia, uma confluência de paixão, intimidade e união. Está ligado a numerosas emoções e influencia os comportamentos. O amor, ele próprio, combina-se com sentimentos de fundo como a excitação, o bem-estar, o entusiasmo e a harmonia.

O amor influencia também o estado do nosso Eu (nas suas dimensões espiritual, psíquica e física) e pode contribuir para o enriquecimento da auto-estima. O que quer dizer que, na ausência do sentimento do amor, ou na sua falta de correspondência, o nosso psiquismo pode falhar, sofrer rupturas e provocar sentimentos de frustação, desânimo, tristeza e depressão.

O ser humano está predisposto geneticamente para amar e ser amado porque é um animal profundamente social, envolvido em múltiplas redes de relações (familiares, comunitárias, laborais, etc.). Os sentimentos têm servido ao Homem para o influenciar na sua percepção de si e do mundo e levá-lo a agir no e sobre o mundo. O amor, em particular, é um estimulante poderoso (motivador) da acção. Já a falta de amor conduz à inacção.
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O desenvolvimento da capacidade de amar depende de factores históricos, culturais e familiares. O amor, hoje, é diferente de épocas passadas. Por exemplo, no período do Romantismo (final do século XVIII e grande parte do século XIX) o amor estava associado à paixão - um sentimento intenso, contemplativo e subversivo. Ele era sentido como emancipador mesmo que trágico como na história de Romeu e Julieta.

Actualmente, o amor é mais dominado pela racionalidade. O amor já não provoca escravidão como antes da época do Romantismo. O sofrimento é mais limitado nas suas consequências e não amar para toda a vida já não constitui um drama para a maioria das pessoas. O amor romântico, por exemplo, ainda que procurado por muitas pessoas, não passa actualmente de um mito. "A paixão de hoje é mercadoria de consumo. Não mais a ver com o destino, com os riscos, com o enfrentamento" - escreveu Renato Ribeiro, professor titular de Ética e Filosofia Política.

As transformações sociais modificaram um pouco a forma como o amor é percebido, sentido e gerido. O modo de amar depende muito das aprendizagens sociais nos primeiros anos de vida. Num mundo em que aumentam os divórcios entre casais os filhos ficam menos preparados para relacionamentos amorosos duradouros.

Por outro lado, actualmente, ensina-se mais sobre as relações sexuais do que sobre as relações amorosas. Os jovens sabem mais sobre sexo do que sobre amor. E isto influencia o seu comportamento no mundo. É de prever que no futuro os divórcios tendam a aumentar e a própria instituição do casamento, tal como a conhecemos hoje, desapareça.

Como é que o ser humano ama?

Data dos anos 70 o primeiro estudo sobre os diferentes estilos de amor. As conclusões do sociólogo John Alan Lee ainda hoje são consideradas válidas. Homens e mulheres podem amar-se de forma diferente e não complementar. As pesquisas mostram que os relacionamentos amorosos entre eles assentam em estilos diferentes e que essa não complementaridade pode explicar o fracasso de muitas ligações sentimentais. A falta de recompensa mútua devido às diferenças de estilo pode pôr em risco uma relação, criando conflitos frequentes e, finalmente, rupturas.

A forma como uma pessoa ama o seu parceiro depende de muitos factores: personalidade, auto-conceito, cultura, educação, etc. Dessa confluência de factores resulta que cada pessoa tem um estilo preferencial de amar. Alguns são compatíveis com o estilo do parceiro. Outros não. O sucesso da relação vai depender de como os dois amantes forem capazes de superar as lacunas e as diferenças. O egoismo pode ser, porém, um factor impeditivo de uma relação bem sucedida se ambos não abdicarem das suas exigências e posturas. O amor bem sucedido depende também da humildade e da franqueza. Conversar sobre as diferenças e as expectativas de cada um em relação ao outro pode facilitar o sentimento.

Os estilos de amar

Geralmente, as pessoas apresentam uma combinação de dois ou três estilos de amor. Observa-se, porém, que há um estilo que tende a predominar nas relação que estabelece com o parceiro.

O estilo romântico - é o mais cantado pelos poetas e actualmente é muito mais feminino do que masculino. Envolve paixão, unidade, atracção sexual. A pessoa que é capaz do amor romântico celebriza cada momento vivido com o parceiro, faz desse sentimento um objectivo de vida. O amor romântico, quando correspondido por uma pessoa do mesmo estilo, é fortalecido pelas dificuldades que o casal tenha de viver para levar a sua relação por diante. A vida familiar e profissional do amante romântico é fortemente influenciada por um comportamento que traduz contentamento e felicidade permanente. Aparece na adolescência e ainda provoca casos de perdição. O fracasso de um amor romântico ainda pode levar ao suicídio.

O estilo possessivo - é destabilizador sendo determinado pelo ciúme. Desencadeia emoções extremas e comportamentos obsessivo-compulsivos. É um amor que alterna entre momentos de prazer e momentos de sofrimento. O medo da perda é, por vezes, dramático e empurra a pessoa para situações doentias (perseguir o parceiro, vasculhar-lhe a roupa e a correspondência, desconfiar de tudo aquilo que, na sua imaginação, possa pôr em causa a relação. Exige do outro constante atenção. A vida familiar e profissional pode ficar profundamente prejudicada quando ocorrem momentos de crise (que são frequentes no possessivo).

O estilo cooperativo - nasce geralmente de uma amizade anterior e antiga. Sobrevive graças à confluência de hábitos e interesses comuns. No centro deste estilo de amar conjugam-se a confiança e a segurança. Está presente especialmente nas pessoas extrovertidas, sociáveis, com uma grande rede de amigos e pessoas próximas. O sentimento de amor cooperativo não nasce de paixões intempestivas mas aparece discretamente a partir de uma relação mais íntima e cúmplice com um amigo, por vezes dos tempos de infância.

O estilo pragmático - surge principalmente nas pessoas práticas, disciplinadas e disciplinadoras, com uma educação, por vezes, austera. A inteligência e a razão moldam esta forma de amar de forma que a relação amorosa seja vantajosa, até mesmo em termos materiais. Geralmente a pessoa estabelece relações sentimentais em função dos seus projectos de vida pelo que apenas escolhe o parceiro em função dos seus interesses centrais. A pessoa minimiza ou reprime o sentimento de amor não sendo dada a manifestações de carinho expressivas.

O estilo lúdico - é baseado na conquista e na busca de emoções passageiras. A pessoa não se dedica inteiramente ao parceiro, diverte-se com muitas outras coisas e até consegue relacionar-se amorosamente com outros parceiros em simultâneo. O sexo constitui um aspecto central do amor lúdico. As relações, além de passageiras, são superficiais e não tem em linha de conta o envolvimento do outro, já que ele pode fazê-lo sentir-se seu prisioneiro. Não mantem uma relação sistemática e evita o casamento ou a vida em comum. É um estilo muito frequente em jovens adultos, em especial homens.

O estilo altruista - a pessoa que segue o estilo altruista dispõe-se a anular-se perante o outro. O outro é o centro de tudo. Está pronta a subjugar-se aos desejos e vontades do parceiro. Tem baixa auto-estima, é frágil, serve-se do outro para se sentir protegida. Está disposta a tudo para não perder o parceiro, sacrificando os seus projectos de vida, os seus sonhos e até a sua imagem exterior. Veste-se ao sabor dos gostos do parceiro, faz tudo o que ele quer. Tende a isolar-se num mundo onde, na sua imaginação, só cabem os dois ainda que o outro pense e actue exactamente ao contrário.

Em que idade começamos a amar?

O sentimento de amor aparece muito cedo na vida. Ele é favorecido por um ambiente familiar que seja sadio, equilibrado e afectuoso. A criança aprende que o amor é um sentimento positivo e compensador. Uma personalidade equilibrada e forte ajudará a relações sadias com o sexo oposto. A forma como irá amar alguém no futuro dependerá muito das aprendizagens sociais que fará nesta época da vida.

Por volta dos 12 anos de idade, os jovens começam a sentir forte atracção de amizade e companheirismo entre si. Os laços de afecto estreitam-se nos grupos de amigos porque garantem protecção. As relações amorosas, porém, são espontâneas e fugidias.

Entre os 14 e os 16 anos, já na fase de "status", os jovens procuram uma integração plena no seu grupo de referência. Seguem as modas e o interesse pelo próprio aspecto físico. Desde que tal lhes seja permitido, os jovens preferem conviver mais de metade do tempo com os amigos. Surgem os primeiros sentimentos amorosos com o sexo oposto.

A fase seguinte, chamada de "afeição", vai até aos 18 anos de idade e a figura do parceiro surge de forma clara. Nascem os primeiros relacionamentos amorosos. As jovens sonham com o amor romântico; os rapazes podem deixar-se tentar pelo amor lúdico, preferindo relações superficiais e diversas. O tempo com os amigos diminui e nascem as primeiras relações sentimentais de casal.

A partir dos 18 anos - a fase chamada de "vínculo" - o estilo de relação sentimental altera-se. O vínculo aumenta nos casais enamorados. Ao mesmo tempo surge uma visão mais pragmática do envolvimento sentimental, em que ambos avaliam a consistência da relação e reflectem sobre se o parceiro é o que melhor serve para uma convivência mais longa e para constituir família.

Finalmente, o estilo de amar de cada um será também, em parte, influenciado pela forma como o outro actua dentro da relação. Por mim, não há nada como o amor apaixonado! Confesso que continuo a ser um romântico.

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