
A propósito de um livro de sucesso!
Muitas pessoas não escondem a sua decepção depois de terem lido O SEGREDO. A maioria das que consultei apontam sobretudo para o facto de O SEGREDO, afinal, não revelar nenhum segredo pois tudo aquilo que aborda, geralmente de forma muito superficial, já muitos outros autores o publicaram ou são do senso comum.
Os apregoados "gurus" que enchem o livro com mensagens de optimismo e conselhos são, muitos deles, conselheiros de empresas ou apenas escritores de auto-ajuda sem formação sólida em Psicologia, Filosofia, Sociologia ou em outras áreas onde existem notáveis pensadores e educadores.
Chamam-me também a atenção para o facto de não haver nenhum psicólogo ou um autêntico filósofo no livro (pelo menos que seja reconhecido como tal) e a própria autora, Rhonda Byrne, é jornalista e não alguém com ciência e experiência na matéria que escreve.
Finalmente, psicólogos meus colegas - que estudaram anos a fio sobre a psique e os comportamentos humanos - nem querem ouvir falar em O SEGREDO pois, dizem, como livro, ele não passa da vulgaridade e da superficialidade.
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O SEGREDO - acrescentam eles - é apenas mais um livro de auto-ajuda que, não fora a boa campanha de marketing que o promoveu, passaria perfeitamente despercebido nas estantes das livrarias.
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O que eu penso sobre o livro
Seja como for, O SEGREDO tornou-se num sucesso editorial. A sua promoção foi bem feita desde o início e como o ser humano vai facilmente atrás do que estiver na moda, milhões de pessoas desataram a comprar o livro. Embora publicado originalmente em 2006, continua a ser o mais vendido em muitos países.
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Confesso que numa primeira fase abri o livro e não me atraiu. Ficou no mesmo sítio onde o vira: na estante de uma loja da FNAC. Depois de ter lido centenas de livros de bons autores que se especializaram no ramo da "auto-ajuda" e da Psicologia, O SEGREDO pareceu-me fraquinho e, por isso, desprovido de interesse. Não valia o dinheiro que iria pagar por ele.Passaram-se os meses.
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O SEGREDO continuava a vender aos milhares. Finalmente, intrigado com tanto sucesso, pedi o livro emprestado a uma pessoa minha amiga. Confesso já que eu leio cerca de 10 livros novos por mês e não são romances. Por isso bastou-me uma hora para ler O SEGREDO; não com muito entusiasmo mas com a maior objectividade possível. E, finalmente, cheguei a algumas conclusões.
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Um livro escrito para ter sucesso
De facto, O SEGREDO, como obra, não acrescentou nada de novo ao que eu já tinha lido noutros livros, francamente muito melhores. Reconheci alguns dos co-autores lá referidos (caso de Fred Alan Wolf, cujo livro Taking the Quantum Leap já li, Neale Donald Walsch, Joe Vitale, Bob Proctor e mais um ou outro).
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O SEGREDO está escrito ao bom estilo dos livros norte-americanos de auto-ajuda e insiste especialmente na tese, já antiga e hoje em dia menos atraente, do "pensamento positivo". Tudo gira em torno do Factor Atracção, o qual percorre todo o livro. Pretende ser um livro de leitura fácil, tocando ao de leve uma ou outra matéria séria (caso dos estados de alma na doença) ou mais materialista (caso de como "ser rico"). Quem for ingénuo, fica satisfeito com frases como esta: "Não é preciso lutar para se livrar de uma doença. O simples processo de abandonar pensamentos negativos permitirá que o seu estado natural de saúde surja do seu interior. E o seu corpo curar-se-á a si próprio" (conclusão da autora Rhonda Byrne, pág.136 na edição portuguesa de Agosto 2007).
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Consta que muitas pessoas, depois de terem lido o livro, deixaram de seguir tratamentos e tentaram usar apenas a mente para curarem as suas doenças. Escusado será dizer que as coisas correram para o pior. Embora Rhonda insista em apregoar que O SEGREDO já fez autênticos milagres na saúde de muita gente. Terá de o provar um dia, provavelmente.
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Haja lucidez!Ora é preciso ter cuidado com este tipo de livros. Manuais como O SEGREDO não curam nada nem tornam ninguém rico, a não ser os seus próprios autores. Eles podem ser (e muitas vezes são-no) úteis porque nos levam a reflectir sobre algumas questões que são mesmo importantes e sobre as quais geralmente prestamos pouca atenção. Por exemplo, considero um bom conselho o que Rhonda diz que "rir faz bem à saúde".
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Mas já todos sabemos isso. Tal como uma boa alimentação, uma vida activa e uma atitude positiva e optimista perante os desafios o fazem.Assim, sejamos prudentes na leitura de O SEGREDO.
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A vida não é fácil, nem tudo se resolve com o "pensamento positivo" nem com a focalização em metas ("quero ser rico", "quero ter sucesso", "quero ter saúde", etc.). O Factor Atracção actua nos dois sentidos: umas vezes as coisas correm bem; outras vezes, o negativo atrai o negativo.
Há que ser lúcido e admitir que há muitos mais factores que intervêm na nossa vida e que não basta ter uma mente vigorosa e orientada para a felicidade e o sucesso para que, de um dia para outro, tudo vai mudar e para muito melhor.
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Com conta e medida
Com tudo isto não quero dizer que O SEGREDO não presta e que deve ser deitado fora. É certo que é um livro que não merece o sucesso que teve porque é muito limitado e muitas vezes nebuloso (ex: "O Universo nasceu de um pensamento") ou inacessível (ex: "A física quântica confirma-o: nós somos a fonte do Universo ") mas tem alguns méritos: gente que lê habitualmente pouco acabou por comprar mais um livro; há ideias-chave interessantes e, aqui e ali, dá-nos pistas para pensarmos mais e melhor sobre questões centrais da nossa vida.